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Estatuário
Arranca o
estatuário uma pedra
dessas montanhas,
tosca, bruta, dura, informe, e,
depois que desbastou o mais grosso,
toma o maço e o cinzel na mão,
e começa a formar um homem
- primeiro, membro a membro, e,
depois, feição por feição,
até à mais miúda:
ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa,
rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz,
abre-lhe a boca, avulta-lhe as faces,
torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços
espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos
lança-lhe os vestidos.
Aqui desprega, ali arruga, acolá recama.
E fica um homem perfeito, e talvez
um santo que se pode pôr no altar.
(P. António
Vieira, em "Sermão do Espírito Santo) |
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